Amiguinhos, sou eu de novo. Por acaso vcs andam cansados ou chateados por se sentirem mal arrumados, ou pagando mico na rua e na noite por causa de roupa, ou coisa do visual? Pensando nesses probleminhas que eu estou aqui para sugerir algumas diquinhas para acabar com esse drama.
Então vai lá. Antes de proferir uma palestras com ensinamentos nesse sentido, uma breve reflexão sobre o assunto pode ajudar.
Durante essa vida de ridículo, que é o cotidiano de um palhaço, notei que há uma diferença tênue entre os detonados e os descolados. Sabem o que eu estou falando? É só lembrar daqueles carinhas do colégio, que andavam com roupas ridículas, calças rasgadas, lenços na cabeça, tênnis vermelho, e coisas do gênero. Na verdade, (confesse...) vc nunca entendeu o porquê esses tipinhos faziam o maior sucesso com a mulherada, não?
Isso ocorre (é isso que estou tentando dizer) porque poucas pessoas percebem a diferença sutil entre o detonado e o descolado. As diferenças são pequenas, mas desde já quero alertá-los para a dificuldade de transitar entre essas características. Vamos começar então do mais importante.
1- Quem é vc?
No geral, ninguém pensa muito nisso na hora de elaborar o visual, mas se vc esquecer de se situar, meu amiguinho, esqueça. Saia dessa vida mimética e acorde para ver quanta coisa vc copia da televisão e do povo com o qual convive. (não adiante me dizer que no seu caso é diferente)
Um exemplo pode ajudar: vamos analisar o patrão João, e o desfiliado José Roberto Maria Tubaína.
Caso um- invertendo papéis: Zé Tubaína usa um chinelo de couro, bernuda básica cru, uma camisa de manga curta listrada e óculos de lente azul. João, chinelo havaiana, shorts de time de futebol, camiseta gola polo da pool, celular na cintura, um bolo de chaves no bolso, boné de time americano de basquete. Ambos estão no boteco de Juca, domingo de manhã, curtindo o velho e bom pagodinho, regado à nova Schin.
Vejamos então a opinião do mulheril:
_Nossa, que ridículo, olha esse zé Tubaína, que baiano! Tá querendo enganar quem com essa roupa de pleíba! Certeza que comprou esses pano no camelô.
_Puxa, o João é um cara humilde mesmo, como eu invejo a sua humildade! Tão descontraído, tão alegre, esse shorts cai muito bem pra ele, ...sabe, todo mundo fala mal de celular na cintura, mas até que ficou legal, sabe... ele tem estilo.
_Credo, óia que cafona esse Zé Tubaína querendo pagar de doutor no buteco do Juca. he, he, he.
Pois, bem. Esse pequeno exemplo retirado da experiência empírica nos ilustra bem porque não podemos pensar o visual apenas como uma questão das pecinhas de roupa isoladamente.
Vimos de forma alegre que o cara bem de vida nem precisa se preocupar com essas problemáticas. Só mesmo os quebrados e estourados é que se ferram com tais picuinhas.
Se vc é um quebrado, fudido, funcionário básico, desocupado, desfiliado, descrente do sistema, incompreendido, atrasado, caipira, ou qualquer outro nomezinho feio para indicar que está excluido da turminha dos descolados, prestem atenção no que segue.
Temos agora o segundo ponto pela frente:
2- a revolução dos detonados.
O princípio dessa reflexão começou com a simples observação das coisas pequenas em nosso país. Das opiniões comuns, das piadas de buteco, das fofocas entre vizinhas. Aos poucos fui notando que o Brasil é rico em sabedoria de transformar indivíduos detonados, em verdadeiros descolados.
Começo por um exemplo absurdo:
a) Tiririca: o palhaço mais baguá da história da televisão. Com tanto excesso de escrotice e detonação, aquele velhaco consegue descolar uma grana boa que muito nego certinho não ganha.
b) o próprio titio bulk (charles bukowski): o cara era um alcóolatra no sentido estrito da palavra, além disso chato, não queria fazer nada sério, não tinha respeito por nada. Quanto mais escroto eram seus textos, mais sucesso fazia. Quanto mais xingava os estudantes, editores e prof. acadêmicos, mais dinheiro e mais convite faturava para palestras. Até mulher, com aquela cara estourada de espinha no rosto, e barrigão de chopp o cara descolou. De looser virou show.
Então finalmente chegamos a grande diquinha para vc melhorar a sua vidinha de detonadão: “ se vc é um detonado e quer virar um descolado, pegue o seu probleminha e detone-o até o fim.”
“... em vez de vc ficar fazendo meia boca, disfarçando, dando uma garibada, esqueça e vai em frente em direção da merda.”
“... fique tranquilo que vc não vai se fuder. estando no Brasil ainda, a coisa é muito mais fácil. se quiser falar errado, bater em todo mundo, viver de maracutáias, levar os outros na conversa, passar a perna no governo, rir dos fudidos, tirar sarro dos fudido, etc, vc com certeza vai se dar bem por aqui. o Brasil é o país certo para vc.”
Matéria: Bozo vai ao Bar....
Olá amiguinhos... já tomaram sua Pop Laranja? Sabem o que vem agora...? nós vamos conversar sobre bares e coisas de crianças adultas, como bebidas e maluquices. Não deixem a mamãe assistir o que segue.
O tema de hoje é: “aprenda a se comportar no bar, segundo a teoria da socialização em bares/ para homens.”
Então, é assim: nós palhaços aprendemos, depois de muita trapalhada, que o bar possui 4 fases gerais de socialização, que acontece em qualquer estabelecimento. São elas:
1- A fase da cumprimentação: pd indivíduos, ao adentrarem no estabelecimento, trocam aqueles infinitos gesto de cumprimento, como uma espécie de comunicação, meio primitiva, meio boboca.
temos as variações:
a)aqueles eufóricos, alegres, enturmados, descolados...
b)aqueles inciados, com gestos próprios, comunitários, herméticos, particulares
c)aqueles escraxados, debilóides, travados e freaks que não sabem lá muito bem como enfrentar essa fase.
2- a fase da celebração: depois então vem a fase que os amiguinhos se reunem num grupinho em volta das bebidinhas. Enquanto enchem a pancinha do liquidozinho, que logo irá deixá-los felizes, conversinhas convencionais são entabuladas. Os assuntos não merecem elucidação de tão triviais e notórios, mas o senso de imbecilidade sistêmica (que neste caso não é negativa) é o mais interessante desse momento.
3- fase da guerra: já com a cabecinha devidamente lesada (medicada, digamos) segue-se o estágio no qual os indivíduos começam a bolar planos, estratégias; tomam atitudes, engendram tramóias, abordam outros seres, buscam satisfação de instintos sexuais, entre outras coisas. Essa seria a fase mais destacada da socialização do bar. Também, lógico, a mais perigosa.
4- fase da lamuriação: seguindo nessa linha temporal do bar, os indivíduos que saem da fase 3 sem muito sucesso, partem imediatamente para o curso da lamuriação, ou balcão das lamentações. Esse momento também tem lá suas graças. Os sujeitinhos, em regra, depois de se submenterem a todas desgastantes fases anteriores, acabam (inacreditavelmente) tornando-se grandes pensadores de bar. Isso mesmo! A mente de uma pessoa comum se torna...digamos... turbinada, com o cérebro trabalhando a mil, fazendo vigorosas elocubrações, teses interessantíssimas, observações ácidas, filosofias inéditas.
Só para ilustrar, os temas comuns são:
“A vida é um grande sistema fudido... ninguém escapa do sistema...”
“Véio, todo mundo que tá nesse bar é fudido...são um monte de merda se arrastando...”
“seu eu tivesse encanado eu até tinha tomado mais hoje...hic... eu nem tinha tomado uísque prá subir mais rápido...sabe, tô me fudendo por causa daquela mina...”
Como estou afim de agradar os amiguinhos, aqui vai uma listinha de frases horríveis para vcs se divertirem. obs: se alguém rir disso, deve imediatamente procurar especialista ou psiquiatra. Ah, e antes que eu me esqueça: fodam-se bem gostoso lendo esse blog inútil.
Fonte (www.parachoquedecaminhao.com.br)
60 num bar, 70 sair 100 pagar, aí mando a polícia 20 buscar.
“Big brother” de pobre é buraco de fechadura.
A noite não é uma criança. A noite faz uma criança!
A primeira ilusão do homem começa na chupeta.
Aprenda a sofrer sorrindo, para fazer sorrir os que sofrem.
As mulheres perdidas são as mais procuradas.
Até você explicar que em briga de Saci não tem rasteira... danou-se! (Michel Franco)
Não sou...
1. Não sou sanfoneiro mas toco a noite.
2. Não sou sapo mas adoro uma perereca.
3. Não sou Silvio Santos, mas vivo do baú.
4. Não sou sutiã, mas sou amigo do peito.
Pomba é o passarinho da paz e mulher é a paz do passarinho.
Solteiro = pavão/ noivo = leão/ casado = jumento de estimação.
Transportando o progresso da nação a troco de humilhação.
Comentário descabido:
Engraçado como, mesmo diante de uma imensidão de frases engraçadas (ou, não?), os temas presentes podem ser resumido em poucos termos. A criatividade para brincar com as frases e tirar efeitos divertidos é muito boa, mas o imaginário é sempre o mesmo conteúdo.
A mulher é sempre perigosa, um bicho meio traíra.
O caminhão sempre vem rimado de solidão.
Casamento: a decisão mais idiota que um homem pode tomar; o sonho de toda mulher.
O pobre, então, é um tema que aparece com muita freqüência, e que merece um comentário especial. A pobreza aparece de uma forma patética, no sentido estrito do termo: é uma coisa que é triste, meio trágica, mas ao mesmo tempo uma qualidade boa, meio feliz, meio engraçada.
Olá, amiguinhos. Tudo Bem? Para aqueles que estão frequentando o bar de terça a domingo, aqui vai uma listinha legal de alguns personagens para quem quiser dar uma reformulada no visual.
O titio bukowski sempre é uma boa pedida para quem quer se iniciar na arte boêmia. Além de ser o campeão da escrotice, buck não parava de beber, vivia xingando a galera e entre um porre e outro arruma um tempo para broxar com a mulherada, geralmente bizarra.
O Bogart não poderia faltar em qualquer listinha mínima para quem pensa seriamente em arrumar o visual durante a vida noturna. O destaque é aquele olhar de peixe morto, chapeuzinho e sobretudo, cigarro sempre na boca e envolto de fumaça. Seu desprezo por todos a sua volta é a grande sacada, invejável e sempre atual.
Valdo vem se tornando um grande ícone da nossa modernidade. Está sempre presente, na hora e no lugar certo. Um pouco intruso, mas quem é que aguenta ficar fora dos grandes eventos, longe das celebridades, dos “fervos”....
Heleninha Roitman, porque todo mundo já quis ser uma grã fina problemática, meio inconsequente, bêbada, existencial...
Há muito tempo tinha a impressão de que o átimo era um blog cheio de sujeira e monotonia, que só tratava de coisas ruins e problemas. Ficava tentando postar umas reflexões sobre o lado mais obscuro do ser humano, que tratava de fraquezas, instintos, mentiras e malandragens (muitas vezes cheguei até a frequentar bares para investigar isso a fundo) por que para mim, de alguma maneira, essas coisas constituiam assuntos interessantes que mereciam ser abordados. Tinha a crença de que isso pudesse interessar e chamar a atenção de outros, por pensar que essas maluquices eram parte de todos nós, compartilhadas igualmente. Sinceramente, eu não tinha idéia de como isso era uma visão negativa do mundo, um jeito decadente; e de que eu era responsável por isso. Na verdade, o meu olhar estava condicionado pela minha situação negativa: se minha situação beirava a derrota, não seria de se estranhar que meu olhar cansado só percebesse o lado mais imbecil do ser humano. Tudo isso era “Eu”, eu que projetava essa merda toda.
Senti que deveria me libertar de tudo isso. Aquelas cores escuras, cinzentas. Aqueles textos chatos, elocubrativos, prolixos. Assuntos sobre o ar misterioso das mulheres. A apologia de drogas letárgicas como o álcool. Apologia aos fracassados, mendigos, bêbados de esquina, pobres camuflados, adolescentes vagabundos que exploram os pais. Tratados sobre as prostitutas, teses para inventar apelidos humilhantes, inventar mentiras, tirar dinheiro das vovós...essa sujeita toda era um quarto sujo em que o átimo se transformou e do qual eu nunca poderia ter uma visão boa do mundo e das coisas que estão acontecendo.
Foi nesse profundo desalento que percebi a necessidade de mudança. Queria voltar a ter um olhar renovado, limpo, sem vício. Que pudesse ser sensível a coisas boas que estão acontecendo hoje, ao redor de todos nós. Nessa disposição, de forma espontânea e imperceptível, deparei-me como olhar do Bozo. Um olhar sublime que apenas duas palavras sugerem: Puro e Alegre. Era isso, nada mais que isso que precisava.
Eu até me lembrei de uma ocasião antiga de família. Uns dois anos atrás, conversando com minha avó distante, descobri uma curiosidade sobre mim que já havia esquecido muitos e muitos anos atrás; disse minha vó: vc se lembra como vc gostava do Bozo, vivia assistindo o seu programa...um dia vc me contou que o Bozo era o seu pai... Era simplesmente isso que minha avó me contava, que quando pequeno eu tinha a brilhante idéia de achar que ele podia ser meu pai, que meu pai pudesse estar fantasiado. Vovó Tilita entendia isso como uma consequencia de eu gostar muito daquele personagem; já de minha parte, evitando exteriorizar meu constrangimento, eu sabia muito bem o porque dessa confunsão meio absurda: na verdade, eu confundia totalmente o plano da fantasia com o da realidade. Não havia diferença, tudo era uma coisa só, viva, presente. Essa coisa de misturar fantasia e realidade, é exatamente isso que está faltando no mundo hoje. Todo mundo tem mania de separar essas coisas, de achar que uma vive sem a outra.
São coisas assim que quero evitar daqui em diante. Olhar para o mundo sem encanto, sem alegria, passar desapercebido pelas belezas da nossa época, nossos avanços, conquistas, tudo de bom que nos acontece. Quero que a fantasia volte ao mundo, que todos fiquemos felizes, sorrindo e satisfeitos. Quero ver longe os pessimitas, os críticos de plantão, os fatalistas, os profetas apocalípticos, as crianças choronas, as gordas mal amadas. Quero uma gargalhada no fim de tarde, depois de um trabalho feliz, porque somento o riso salva. Porque se vive melhor rindo, e como diz o provérbio: rir é o melhor remédio.
E eu acho que é possível mostrar para o mundo todo que Bozo pode ser uma grande proposta hoje, que nesse contexto de insatisfação, de problemas e de desigualdades, ainda ér possível acreditar na fantasia, dar risadas, ver brilho nas coisas, ser feliz. Tal como diz aquela musiquinha do programa: "sempre rir, sempre rir, prá viver o melhor é sorrir...
Seqüência de quadros que contam a história de
uma família destruída pela bebida.
Zé Tubaína é mais um brasileiro comum e feliz, como qualquer outro. Leva a vida a trabalhar duro, para o sustento de sua família e, de vez em quando, gosta de se distrair freqüentando um butequinho. Mal sabe o perigo que o espera...
Depois de descarregar quarenta sacas de café no porto de Santos/Sp, com quinhetos mil cruzeiros no bolso, Zé decide ir ao bar para encontrar os amigos.
Arrrêêê.... esforza que me vou intorrtá a ventana... dá-me logo uma Parati da boa...
Má che cachorro... sardento safado, larga a famiglia sozinha, vem bebe feito tonto aqui nessa pocilga, dexa os bebe chorando...
si suncê quizé, o nego véio aqui aceita penhorá uns pézinhos de café...
Vagabundo, Bandido...
Vaca, Maldita, Ingrata...
Mio Zé abandou a famiglia por canta de bibida... precisando yo faço até uns carinho...
ich, ich, ich maaaaria miiia, ma che no veeeejo naaada
chuta chesse impiatros... caloteiro sujo...
Outrossim, declara-se que José Silva Moleato Carabinni, verificado sua conduta de Vádio e crime de Embriaguês Pública, determina-se necessária a tutela jurisdicional do Estado para, em devir, obter sua devida reabilitação.
...que fisco... Parati que não me sai da pestana...
Nada que um remédinho e um quartinho de manicômio não resolva...
De uma vez só, num ato de extrema insanidade, vai abaixo uma lista dos rascunhos (10 posts) que estavam esperando uma conclusão ou melhor desenvolvimento neste blog. Como isto não aconteceu, nem poderia ocorrer tão cedo (são textos impossíveis de serem concluídos!) , decidi jogá-los na fogueira da opinão pública para, quem sabe, causar algum riso ou indignação dos leitores mais atentos. Espero não decepcionar muito o pessoal que se aventurar a ler essas inutilidades, má redigidas e ainda por cima incompletas. Depois não digam que não avisei. No meio de toda porcaria, a intenção é dar visibilidade a todo aquele lixo que fica transitando na nossa cabeça, mas a gente nunca tem coragem de assumir...até que um dia, numa piração, põe tudo pra fora...
Melhor do que tudo isso, porém, que afinal não passa de mero adorno, são as frases feitas,...
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É com uma certa dose de tristeza que me lanço neste texto para tentar registrar alguns pensamentos que não me saem da cabeça.
Isso é o que eu chamo de burrice letárgica. Nem havia pedido nada, nem insinuado, quanto menos usado de malicia, logo no momento em que Marina Raquel, com aquele jeitinho que é tão peculiar às mulheres de personalidade forte, deu-me as costas, de brusco, executando um teatrinho infantil, só por causa de uma frase: mulheres não gostam de jazz.
Duas semanas de conversa e dedicação, bebendo moderadamente em bares que me são estranhos, e aquele ser do sexo oposto não conseguia entender minhas inquietações filosóficas. Pedia a ela apenas uma ponta, um pouco de seu tino de atriz, o máximo que ela iria mostrar no curta seria o delicado pezinho, branco, macio (que eu nem consigo esconder minha pronta excitação). Apenas Lúcio Batonne
Cara, você não vai acreditar! É impressionante, os caras criaram uma bebida alcoólica que realmente turva a consciência. Meu, é muito lôco! Você já viu aquela propaganda da vodca Smirnoff, que a garrafinha fica passando na frente da tela, e conforme ela passa tudo vai mudando no fundo. Um gato vira um leão selvagem, uma velha vira uma puta gostosa, um prédio abandonado vira uma rave inglesa; num plano chapado tudo é cinzento, monótono, a garrafa quando passa, através de seu vidro, transforma tudo em vermelho, cor do pecado, vivo, sensual, gostoso. Nem sei como te contar, mas é exatamente isso: eu ontem tomei um porre doido, de uma bebida doida, na qual aconteceu comigo a mesma coisa do comercial.
Antes de começar a explicar como consegui essa garrafa fudida, é conveniente te contar o que estava acontecendo comigo na época do ocorrido. Lembra que eu tinha falado pra você que mulher é tudo mentirosa, e enquanto eu tentava te explicar uma coisa importante, você ria como um bobão e me xingava de paranóico, sem poder me escutar. Pois é, bicho burro. Não foi qualquer coisa não aquela tal de Marina Raquel. Uma puta gostosa, primeiro ano de faculdade, letrada (gostava de Machado de Assis, filme italiano e escutava Bach), cara, eu perdi minha cabeça por causa dessa filha da puta. Pra dizer a verdade, a primeira coisa que me chamou a atenção nela, você não vai acreditar, foram os pés. Delicadinhos, branquinhos, esculturais eu diria. Sabe como são essas moças intelectuais, aqueles vestidinhos indianos, só pra disfarçar o corpo magrinho, na medida, e para acompanhar algumas sandálias escrotas, que deixam o pé escancarado, muitas vezes até cascudo. Mas não, não no caso dela. Deve ser um estilo de fachada, ela deve ter dinheiro essa vagabunda, basta se aproximar e perceber que tudo é muito bem cuidado, não tem uma desgraçada de uma unha torta ou micozeada. Tudo nela é liso, do cabelo preto escorrido até o calcanhar rosado. Eu tava loco para conferir o resto, me certificar daquela pureza genética. Toda hora que eu ficava nervoso em casa ia para o banheiro homenageá-la.
Ou torne-se um livre pensador inventando suas próprias teorias
No ultimo post, desenvolvi a idéia de que nas teorias em geral, nas quais se tentam explicar qualquer coisa do mundo, vale muito mais criatividade do que verdade ou seriedade. A partir disso, creio ser possível agora alguns apontamentos que ajudam na criação de novas explicações, explorando a criatividade e imaginação que toda pessoa possui.
Vou lançar essas intuições de forma experimental e, em seguida, discorro um pouco de como essas dicas podem funcionar:
1- Qualquer coisa pode ser explicada;
Não duvide da nossa grandeza intelectual para tentar explicar tudo o que acontece ao redor. Qualquer besteira ou inutilidade pode virar objeto de teorização. O importante é vc aproveitar sua imaginação e escolher algo esdrúxulo que ninguém se tentou explicar, ou melhor ainda, ninguém imaginou que tivesse explicação ou teria coragem de teorizar. Exemplo: os processos mentais na cabeça de um bêbado corno. Ora, estamos diante de um problema realmente interessante para a sociedade. Na maioria dos casos, uma sonda eletromagnética, ao lado de sessões do filme do Babi podem auxiliar nesse processo explicativo.
Drink´s, Money and Beer´s (underground of the pussy) constitui um projeto ambicioso de criação de um novo conceito de jogos e diversão
Falácias Bareanas
Ao longo de minha vidinha de boêmio, com um pouco de sensibilidade e observação, fui notado muitas das idéias que circulam no imaginário coletivo dos freqüentadores de bar.
O bar, como já se pode imaginar, é um destes lugares que qualquer pessoa conhece e que a maioria de nós já possui uma idéia definida.
Vejamos então algumas das idéias mais presentes:
1- O bar é visto como um local apropriado para a diversão e entretenimento.
2- Possui uma ambientação útil para a interação entre pessoas e para consolidação de novos relacionamentos.
3- É visto como um espaço privilegiado para a satisfação de certos desejos.
Não sei se todos concordam, mas na minha modesta opinião o desenho mais careta que existe atualmente é o do Capitão Planeta. A coisa que mais irrita é esse tom politicamente correto e, ainda por cima, essa mania suja de tentar doutrinar as crianças por meio de estorinhas medíocres.
Esses dias aconteceu de eu assistir um desenho do Capitão Planeta. Parecia um exercício besta de decifração semiótica.
A primeira idéia que nos chama a atenção é que o herói defende a natureza e o meio ambiente dos mal feitores que estão poluindo o mundo. Até aí tudo bem, mas vejamos algumas peculiaridades.
O besta do Capitão Planeta só pode ser invocado pela união dos anéis de um monte de personagem babaca. Aí vc vê os velhos elementos da natureza: terra, água, fogo, etc... e de repente, um tal anel de coração!? Vc percebe que cada personagem que carrega um anel representa uma raça de um continente, e justo o que carrega o coração é um latino-americano. O personagem que carrega o fogo é um americano, pra variá.
Então a pergunta é inevitável:
Um guia que explica: porque queremos ser Otários?
Nenhum homem ainda cogitou o grande valor contido num imbecil. No entanto, uma riqueza inesgotável nele repousa. Quanta alegria ver um comentário esdrúxulo! ou então um preconceito tosco. Não há maior alegria que ver aqueles filmes de porrada cheio de lutadores imbecis, não é verdade?!!
Foi pensando nessas obviedades que imaginei a importância de rascunhar algumas idéias nesse sentido.
Exemplos disso temos de monte, todos os dias, em qualquer lugar. Não que eu queira me revoltar contra eles, os imbecis, mas como diz o ditado: quando não se pode vencê-los...
O último que me apareceu, prá variar, estava no bar e palestrava alegre para um bandinho de femeas. Contava peripécias de viagens que tinha feito, dos porres que havia tomado (uns mais chatos do que os outros, pensei estar numa pegadinha) e acreditava piamente que aquele comportamento era o máximo. Ao lado eu não conseguia disfarçar o riso e tentava não olhar para as garotas que seguravam a risada amarela de sarcasmo.
Considerações Anacrônicas
Durante minha pacata vidinha de bebuns convicto, creio que nunca parei para pensar nesse negócio de espaço. Sim, essa coisa meio absurda, de ficar martelando a cabeça, para avaliar melhor o que se está fazer e, principalmente, onde se faz tal coisa.
Por exemplo:
Hoje me peguei meio tonto, desprevenido, questionando o porque eu não costumo beber em casa. Abri a geladeira várias vezes e fiquei a olhar as latinhas de cerveja e o litrinho de vodca: “quando é que vou esvaziar essas crianças...” e nada. Sempre é a mesma coisa.
Mas, entre uma pestana e outra:
“...daqui a pouco estarei no bar e estarei afoito e desesperado para esvaziar qualquer coisa.”
Então me veio uma reflexão de trouxa, uma idéia absurda sobre a características dos lugares. Alguém aí já parou para pensar que em cada lugar somos uma pessoa diferente.
Disso não pude esquecer a imagem do velho e bom Dr. Jekyll e Mr Hide. Mas em minha cabeça afoita a oposição estava mais no espaço entre a casa e o bar.
senão vejamos:
CASA
Um sujeito tranquilo, cumpridor de seus deveres, fiel, amante das artes, dedicado ao trabalho, devoto das religiões bondosas...
BAR
Um indivíduo sujo, descontrolado pelos instintos, raivoso, sedento por bebidas que retiram a consciência e o senso de pudor, doido por sexo, invocado, tosco, palavreado imbecil...
Mais uma vez ponderei: "... como o espaço pode condicionar a nossa prórpia conduta? Deve haver algo de social no meio
tenho que parar com essa mania besta de postar contos ou indagações no átimo de vez em quando. estou convencido de que não há espaço para este tipo de comunicação em blog, e além disso, noto que essas historinhas irratam os leitores.
Mas com toda a honestidade que me é possível, eu realmente não desejo irritar ninguém com minhas parcas palavras. Creio que o objetivo de qualquer escritor, muito mais do que criar uma boa historia ou teoria, é se comunicar e poder ser lido e escutado.
Então não há mais de que se falar em contos, teorias absurdas, manuais inúteis, experimentações literárias, desabafos e reflexões introspectivas.. sobra o que então?
Vou repetir a pergunta para ver se alguém me ouve e se assim cai alguma ficha: sobra o que então?
Pois bem, eu poderia falar sobre os ultimos acontecimentos. Muitos posts são comentários das noticias em geral. Quase como um eco do universo jornalistico. Mas isto não me agrada, não sou jornalista e também não desejo expor como alguém imune a este mundo manipulável de informação.
Além dos comentários sobre noticias, sobram as piadas.
Faz alguns dias que tenho tentado atualizar este blog via cibercafe. Poucos podem imaginar a dificuldade de tal tarefa. A começar pelo barulho da mulecada jogando, até a descoberta estranha de que o local é freqüentado por pessoas solitárias que reparam em tudo o que vc faz.
Que fazer do período entre o final do jantar e o início do Bar. Nenhuma conversa produtiva pode ser entabulada nesse ínterim. Além disso, os neurônios estão desligados para que a sua digestão possa correr da melhor maneira. Você espera que aquelas horas corram da forma mais imbecil
Imbuído desta idéia, da qual vc mesmo
Na ultima semana do mês de abril, foi realizado o Congresso Internacional da Cultura Etílica e Administração Bareística, na estância pinguísta Cachoeirinha da Água Mansa, na cidade de Pé de Cana, sul de Minas Gerais. O evento anual está já em sua 13ª edição, contando desta vez com a participação de mais mil e quinhentos participantes, de todas regiões do país e até mesmo do exterior. Diversas atividades foram desenvolvidas durante os cincos dias, tais como: palestras, cursos, seções de comunicação, grupos de estudos, grupos de provadores, coquetéis, lançamentos de bebidas, maratonas etílicas, entre outras.
Por meio de um convinte absolutamente inesperado, o autor que vos fala teve o imenso privilégio de proferir uma palestra, recebida com sucesso, além de acompanhar as demais atividades do Congresso. Se não for muito abuso da paciência do leitor, farei o relato em primeira pessoa para tentar transmitir melhor minha emoção:
No dia 15 de abri de 2004 fui surpreendido com um e-mail, em forma de convite, assinado pela A.E.B (Associação Etílica Brasileira), com a proposta de proferir uma palestra, baseada num artigo publicado em meu blog, intitulado “Guia para frequentadores de Bar.” Pensei, inicialmente, tratar-se duma brincadeira imbecil. Primeiro, porque não conhecia, nem de ouvir falar, tal associação, e segundo por acreditar que meus textos não tinham valor algum.
O e-mail terminava com uma extensa lista de informações que cuidavam de detalhes como hospedagem, condução até o evento, cachês, vantagens para membros palestrantes, passeios previstos, etc, e, no fim, um telefone/fax para contatos.
Exigiam de mim apenas o preenchimento de um formulário curto, contendo também a confirmação de minha presença, que deveria ser entregue pelo menos três dias antes do início das atividades. Mal podia acreditar no que estava lendo. Tratei de ligar rapidamente para o telefone indicado, pensado falar poucas e boas para o engraçadinho que inventava tudo aquilo.
Minha surpresa inicial foi descobrir que a A. E. B. realmente existe, é uma entidade séria e muito bem organizada, com diversos associados fiéis espalhados por todo Brasil. Alguns membros da comissão organizadora, por motivos desconhecidos, tiveram acesso ao meu blog e se interessaram pelo tema. Nesse mesmo dia, durante o telefonema, tive a honra de conversar com o vice-presidente da associação que não só me refez o convite como me explicou as doces condições em que os participantes são tratados na constância do evento.
Dois dias depois de ter entregue os formulários, recebi pelo sedex, endereçadas em meu nome duas passagens de Avião, na first class, com destino a Juiz de Fora. Desacreditado de tamanha benesse, mal conseguia me concentrar na elaboração de minha palestra que, com a chegada das passagens, se tornara uma realidade.
De malas prontas, coloquei um crachá de identificação, conforme recomendações dos organizadores e tive mais uma feliz surpresa. Durante a viagem, todos os membros com esse distintivo possuíam regalias etílicas, encontrava-se sob nossa disposição uma variedade enorme de wiskys e destilados, todos de primeiríssima linha. Já no céu eu sentia que aquela viagem seria uma barbada.
Desembarcando no aeroporto, fui recepcionado cordialmente por um grupo de três membros da AEB, juntamente de mais quatro belas acompanhantes. Notei que o porta voz deles estava muito contente em me conhecer, e que todos eles, com exceção das moças estavam levemente embriagados. Puxaram logo de lado, não sei qual deles, uma pequena garrafinha de metal com wisky, oferta que não pude recusar por me encontrar embriagado amiúde.
No passeio que liga o aeroporto à sede da AEB, presenciei com muita satisfação a bela cidade de Pé de Cana. Como já se pode perceber, a economia do local é toda voltada para a produção de pingas de exportação, e um breve passeio é suficiente para ver os inúmeros alambiques espalhados por toda a cidade.
Ao chegar no hotel, localizado na estância pingüística da Chácara Cachoeirinha da Água Mansa, pressenti que aquele lugar poderia me propiciar uma hospedagem tranqüila e agradável. Existem diversos barrilzinhos distribuídos por toda a propriedade, cada qual com um variedade de cachaça, com livre acesso para degustação. Por se encontrar tal hotel no alto da serra, cercado por uma natureza abundante e bela, um passeio pelo local, seguido da fase degustatória (em verdade existe um caminho feito de plaquinhas explicativas como sugestão para os visitantes) se torna inescusável.
Com o passar do tempo, descobri que esse hotel, de nome Alambiqueira Mineira, é especializado em receber amantes da aguardente brasileira, não somente brasileiros como muitos apreciadores de nossa nobre bebidinha do exterior.
A parte as doces descobertas da estadia e dos passeios etílicos, seguiram-se as atividades estudantis. De início, para estimular o pensamento dos participantes, foi aberto o congresso com um grandioso coquetel, com diversos tipos de bebidas, acompanhados de tira-gostos tais como amendoinzinhos e paçoquinhas, todos eles produzidos na própria cidade. Tal atividade desenvolveu-se pela madrugada adentro, fato de pouca importância, pois não existe nenhuma previsão estudantil durante o período diurno.
Atitude muito acertada, segundo minha opinião. A manhã, principalmente para estudiosos etílicos, por conta de uma disposição física peculiar, é um período de baixa atividade intelectual.
Pessoas interessantíssimas se reúnem nessa ocasião. Diversos setores da sociedade estão lá representados, desde os sujeitos mais humildes até os mais arrogantes aristocráticos.
Antes de minha palestra, que teve como base um texto já conhecido dos leitores dessa coluna (guia para freqüentadores de bar), muitas conferências se mostraram surpreendentes. Entre elas: “Paradigmas da cultura botiquineira entre as décadas de 30 e 40 na região Amazônica”, proferida por um dos membro da AEB, sr. Joseph David Kantoo, acrescentou muita euforia e farta informação aos espectadores. “Paralelos entre Bebida e Feminilidade. Análise das figuras do Martini Rose”, nos finos lábios da senhorita Daiana Ferreira e finalmente, uma das mais aclamadas e esperadas do evento, constituída por um dos vetores ideológicos da ABE, o sr. John Williams Rubem Midnight, tinha como título explícito: “A Metafísica dos Bares”.
Como minha palestra estava prevista para o final do evento, aos poucos fui me adaptando aos modos próprios do congresso. Diferente de qualquer outro evento acadêmico, é comum neste o serviço etílico completo, durante as palestras são servidas diversas rodadas de wiskys, drinks, e licorezinhos e aperitivos ao final das exposições. Os membros das mesas expositoras, ao contrário da garrafa térmica com o cafezinho tradicional, colocam logo ao lado a garrafinha de sua preferência, desde nobres scott´s, até as mais raras aguardentes, que são apreciadas sem nenhum pudor durante as falas. Após as exposições teóricas, a fase de debates é substituída por bate-papos descontraídos nos próprios butecos numerosos espalhados por toda a cidade, contando desta forma, com a participação dos próprios freqüentadores naturais que lá se encontram .
No tão esperado dia de minha exposição, não sei por quais motivos, tive um dia cheio de atividades. Levaram-me para conhecer mais de perto os diversos produtores etílicos da região, bem como me carregaram para inúmeras seções de apreciação. Ao chegar no horário previsto, dez da noite, já me encontrava, digamos, levemente “medicado”. Lembro-me que inicie minha palestra considerando a impossibilidade de uma reflexão teórica sobre bares que ignora a parte prática do assunto. Na primeira pausa da fala, já molhei o bico com um humilde Jack Daniel´s, como manda a tradição para os neófitos da associação. Mas, sem perceber, a embriagues foi tomando conta de minha exposição e ao final eu já estava falando mole, com a gravata enrolada no pescoço, pronto para subir no mesa e fazer alguma idiotice como tirar a roupa ou dançar feito tonto.
Desconfiei que tudo fosse um sonho no momento em que encerrei a palestra e fui saudado de pronto com uma longa e calorosa seção de aplausos. Muitos ali estavam bêbados também, e então resolveram fazer um volta olímpica comigo pela cidade, gritando e me jogando ao alto por meio da famosa “cama elástica” feita de braços.
No dia seguinte, tomado de alguma ressaca, fui ainda presenteado com vários guias anti-ressaca, ou de como curar ressaca de maneira rápida, acrescentado de um belo pé de Boldo para ser cultivado em apartamentos. Após assinar minha filiação à ABE, recebi meu glorioso chequinho e fui advertido que a viagem de volta prevê regalias, mas desta vez voltadas aos produtos com base no café (substância, segundo eles, também indicada para os processos de convalescência etílica). Dormi a viagem inteira de volta. Agora, só espero um convite para o próximo encontro.
Quando vc não tem mais nada para falar num blog vc acha tudo um pouco chato. Dá a impressão de que tudo já foi dito, e que também não adianta falar mais nada nesse espaço efêmero, que ninguém vai querer ler ou se interessar por alguma coisa pensada por vc. Então vc sente um silêncio absoluto pairando nesse lugar, vc olha com desconfiança, por trás das cores, do visual, da performance dos lay outs, das piadinhas e das controvérsias forjadas e pensa que por trás de tudo aquilo existe um absoluto vazio, e que a internet é também um puta vazio e uma puta sacanagem para tirar dinheiro dos caras e que o que continua movendo essa merda toda ainda é a vaidade e a curiosidade transmutada na bisbilhotice, mas vc decide não falar nada disso para não chocar ninguém, para que ninguém fique muito ressentido e pare de ler o seu blog, simplesmente porque vc ainda tem uma doença remota que o faz acreditar que alguém continua lendo essas coisas que vc, às vezes, se incomoda em dizer.
Vc sente que algo está faltando quando uma pequena dorzinha no canto superior esquendo do pescoço começa a acusar e dizer que alguma coisa não vai muito bem. Vc começa a sentir a boca seca, meio palpitante, não sabe bem porquê e começa a perder o sono, ou dormir em momentos e ocosiões inoportunas. Passa a comer muito, e enjoa muito fácil de certos alimentos e sente dificuldade de mudar dos hábitos alimentares e daí começa tb a roncar de forma intermitente, sem saber como curar isto.
Mas facilmente vc se adapta. Seu corpo se transforma e as idéias se reagrupam, quase num movimento esmaecido, de que aquilo tudo é normal, e vc então decide estimular seu organismo, que se encontra cansado, precisando de estímulo. Vc toma café álcool fumo e quaisquer outras substâncias a fim de evitar quedas para o tédio, e aí vc se alegra mas sempre lastreado de alguma coisa ou alguma reminiscência.
O mágico do sono é o momento em que vc realmente desliga e passa a acreditar na lógica onírica que o seu próprio cérebro criou para vc se distrair. Somente neste momento raro, nessa ilha de excessão, vc comente o excesso de se esquecer de si mesmo (ainda que vc transporte para o filme roncado alguns desejos inconclusos) e vc é um ser belo, quse morto, quase pronto para ressuscitar e voltar a levar uma vidinha medíocre a troco de alguns prazeres efêmeros.
Tudo isso é pequeno perto de uma vertigem que alguém, ou eu, ou vc sente quando saí na rua e vai trabalhar, procurar emprego roubar ou estuprar alguém, neste ímpeto vc tb deixa seu senso crítico e estabelece de pronto que a ação não admite hesitação. Pega o ônibus e atravessa a cidade, encontra os amigos, entabula diálogos, ri de todos, quando muito vc se engana acreditando ter conseguido uma idéia legal, ou uma mina legal, ou um porrezinho louco legal e comprou uma revista pornô legal com pernas e xanas legais, mas lembra tb que não pode contar isso para a sua mãe nem namorada nem vó. Tudo isso faz vc esquecer porque vc atravessou todo aquele caminho maluco da cidade, e teve ainda que cruzar um monte de gente estranha, mal humorada, teve que agradecer o cobrador e pedir licença pra uma senhora, e no fim vc tb tinha certeza de que vc no final voltaria para casa, qualquer que fosse o resultado daquilo que te levou a sair dela, se é que vc realmente queria isso.
Acomodado vc deita mais uma vez cansado e agradecido por estar cansando e não ter mais uma noite de insônia, mas vc olha ao lado e tem a impressão de estar ocupando o centro de um buraco, dum ninho, e de que a sociedade inteira é uma coméia e que a cama é cada vez mais quente e sufocadora.
Nem por isso vc deixa de acreditar nas coisas. A grande arte de tudo isso é continuar acreditando. Ensinaram ser uma grande fraqueza estragar tudo, até vc mesmo, alguém te lembrou que vc deveria cuidar de si mesmo e até prestar alguns serviços comunitários. Vc não deve nem desacreditar nem ficar parado nem ficar reclamando nem doido histérico e, ao contrário de importunar outras pessoas, vc deve ajudar e, quem sabe talvez, deixar tudo como está e reforçar tudo aquilo que te incomoda, direta ou indiretamente, ainda que vc não saiba de onde ou como aquilo te atinge. Tem horas que vc acha tudo isso o máximo, e que a grande piração da vida é deixar isso fluir e celebrar a grande força motriz que às vezes é a fortuna, o incerto ou o destino, conforme melhor lhe convir.
Nada disso deveria estar sendo dito, e vc se lembra que está arrependido de dizer essas coisas por às vezes não concondar com todas elas. Vc deixa escapar, e tem uma vaga lembrança de que não tinha nada legal para postar no blog, vc conclui que deveria tem ficado quieto, se arrepende, lembra de todos os caras chatos que vc tem certeza de que vão reclamar. Talvez vc tenha feito isso por conta do silêncio, por conta de um silêncio absoluto que se estabelece quando o barulho é intenso, quando vc sente sua cabeça fechar feito uma panela de pressão e o som ficar uníssono.
O uso corriqueiro da linguagem, que tem sentido prático e imediato, evita que no dia a dia um indivíduo comum caia na bobagem de investigar seus próprios procedimentos e utilizações da comunicação.
Desta maneira, qualquer um de nós, de forma natural ou não consciente, praticamos e empregamos uma ferramenta poderosa no decorrer de nossas relações humanas, para os mais diversos fins.
O ato de apelidar é um comportamento espontâneo do ser humano, que não perde nenhum segundo na sua vida para pensar na conseqüências deste ato, e o utiliza para as mais diversas e obscuras finalidades.
1 tese: O apelido é óbvio. Ridículo é refletir sobre o apelido.
Uma vez que orientamos o sentido do ato de apelidar, convém analisar algumas de suas características.
2 tese: Todo apelido é uma perversão.
Perversão no sentido empregado, não pode, em hipótese alguma, ser confundido com o sentido psicológico que o termo pode possuir. Significa tão somente a torção, a subversão da linguagem, mais especialmente sobre o emprego dos nomes, ou o ato de nomear as coisas.
3 tese: O nomear é invocar uma essência, se aproximar da verdade, uma tentativa de substancializar a coisa. O apelido é um conjurar hipócrita, é um desvelar toda a diferença e imperfeição da coisa ou do ser, evidenciado suas falhas, mas mantendo-as protegidas sob a guarnição da imagem ou da metáfora, que por todos é entendida, gerando riso e não podendo ser atacada por conta do próprio caráter fantasioso.
Aparentemente negativa, a imagem do acontecimento do apelidar, não obstante a carga de sofrimento que gera em todas os grupos sociais em que ocorre, é um fenômeno positivo que critica e recicla a cristalização social.
4 tese: O apelido destrói para que ninguém fique parado, para que nenhuma instituição fique impune.
Com estes quatro pequenos passos esboçados, temos de passagem bons indícios da importância do tema que estamos a tratar. Por que então, nossa civilização não cuidou de nos preparar e nos orientar no uso e desenvolvimento de tal ferramenta?
5 tese: O apelido é fundamental para a humanidade. No entanto, assumir o caráter efêmero e baixo do apelido é a condição de sua existência no campo das relações humanas.
6 tese: O ato de apelidar é uma arte.
Sobre a arte de apelidar.
Agora que temos algumas teses para experimentar uma reflexão mais aprofundada sobre os apelidos, podemos desenvolver melhor certos exemplos. Apenas de forma ilustrativa:
Apelidos de amigos
Apelidos de namoradas (próprias ou alheias)
Apelidos de chefes (e ou professores, superiores e governantes)
Apelidos de parentes
Apelidos de inimigos
Cada uma destas (se assim podemos chamar) “categorias”, como todos nós sabemos naturalmente, possuem sistemáticas próprias.
Os apelidos dos amigos, talvez os mais numerosos, em regra marcam a posição que o sujeito ocupa na turma e uma idéia geral sobre alguma característica física (defeito, qualidade ou trejeito). Eles funcionam de maneira quase afetiva, e carregam certa dose de afinidade, sendo o seu uso permitido apenas para os membros mais próximos.
Já os apelidos de namoradas, são sempre apelidos usados do outro lado do grupo. Se uma namorada sua ou do seu amigo possui apelido, certamente, você ou o namorado em questão não tem permissão para descobri-lo. Isto indica que esta forma de apelidar funciona com objetivos diferentes, atuando mais na caricatura e distorção da namorada visada.
A curiosidade dos apelidos sobre os chefes e demais cargos superiores, é que eles funcionam, na maioria dos casos, como transfigurações dos medos e pressões que os próprios funcionários e submetidos carregam. A maneira mais fácil de se apelidar nesta categoria é exagerar o poder exercido por esta pessoa, de modo a torná-lo risível, principalmente para nos acalmar a respeito de sua atuação e de seu perigo.
Para parentes e inimigos, categorias muito próximas, por mais estranho que possa parecer, a curiosidade está no procedimento comum de inverter valores ironicamente. O pai invertido no papel de mãe, o inimigo invertido no papel de amigo, a sogra no papel de auxiliadora (neste caso, a sogra pode figurar também na categoria de chefe ou patrão pelo medo que impõe). Em todos estes casos, os apelidos figuram engraçados pelo impacto da desconformidade que geram.
A parte estes apontamentos sugestivos, a regra de ouro que sugiro para tais questões é buscar a arte de misturar os três elementos básicos:
A sonoridade do apelido
+
A perversão lingüística que ele representa
+
O conteúdo contrastante que ele indica (o choque do defeito da pessoa com alguma imagem engraçada ou invertida)
Misturando com muita sutiliza (quanto mais, melhor) mais perfeito e duradouro será o apelido.