Os segredos do Bozo

Lixeira do Átimo (rascunhos infames)

De uma vez só, num ato de extrema insanidade, vai abaixo uma lista dos rascunhos (10 posts) que estavam esperando uma conclusão ou melhor desenvolvimento neste blog. Como isto não aconteceu, nem poderia ocorrer tão cedo (são textos impossíveis de serem concluídos!) , decidi jogá-los na fogueira da opinão pública para, quem sabe, causar algum riso ou indignação dos leitores mais atentos. Espero não decepcionar muito o pessoal que se aventurar a ler essas inutilidades, má redigidas e ainda por cima incompletas. Depois não digam que não avisei. No meio de toda porcaria, a intenção é dar visibilidade a todo aquele lixo que fica transitando na nossa cabeça, mas a gente nunca tem coragem de assumir...até que um dia, numa piração, põe tudo pra fora...

Publicado em 10 de agosto de 2004 às 02:05 por rodolfo

Comentários

    • um bom motivo para vir a londrina:

      “Londrina Jazz Festival quer se tornar internacional

      Para a sua segunda edição, que deve ocorrer entre 30 de novembro e 4 de dezembro, o Londrina Jazz Festival quer se tornar internacional, trazendo atrações como a cantora Ithamara Koorax (considerada pela crítica uma das cinco melhores vozes femininas de jazz no mundo), a Traditional Jazz Band (grupo formado há quatro décadas, e que terá uma mostra fotográfica explicando sua trajetória), além dos brasileiros Wagner Tiso e Victor Biglione. O Madame X, empresa que organiza o Festival, também pretende convidar o pianista brasileiro Michel Freidenson, que integra uma banda ao lado de Marcio Montarroyos, Duda Neves e Silvyo Mazzuca Jr. O DJ Don KB deve vir novamente, assim como os grupos locais Londrina Jazz Trio e Batistella Trio. Há também a possibilidade da vinda do trio norte-americano Chicago Underground e de mais dois nomes do exterior. Os grupos brasileiros interessados em participar do Festival podem enviar material para a Londrina Jazz Festival, Caixa Postal 2040, CEP 86023-970, Londrina PR. Neste ano, o Teatro Marista, República e a Concha Acústica devem ser novamente os principais pontos do festival, que é patrocinado via Lei Rouanet.”
    • por grota
    • 12.Ago.2004 às 09:10 - Permalink - Reportar
    grota
    • ei, olha só o que saiu hoje na folha. acho que te interessa:

      "LEITURA
      Penso, logo deliro
      Em nova edição coligida, ''Catatau'', obra mais radical de Paulo Leminski, é um mergulho pela aventura da linguagem

      Marcos Losnak
      Especial para a Folha2

      Algumas obras, pelo grau de dificuldade de leitura, tornam-se muito mais comentadas do que lidas. Na literatura brasileira, ''Catatau'', prosa experimental do poeta curitibano Paulo Leminski (1944 - 1989), é um belo exemplo.

      Publicado originalmente em 1975, ''Catatau'' passou a ser cultuado como uma espécie de ''Finnegans Wake'' (obra mais radical do escritor irlandês James Joyce) da língua portuguesa. O livro tornou-se referência obrigatória na experimentação literária brasileira e, ao mesmo tempo, difícil de ser encontrado.

      A segunda edição, revisada pelo próprio Leminski pouco antes de morrer, apareceu somente em 1989 lançada pela Editora Sulina numa pequena tiragem. Agora, com a proximidade das comemorações dos 30 anos da obra, a Travessa dos Editores coloca nas livrarias uma nova e impecável publicação de ''Catatau''.

      O principal mérito da edição, crítica e anotada, está em apresentar um texto coligido a partir da comparação das três versões existentes: os originais datilografados por Leminski, a primeira e segunda edições. A delicada tarefa foi realizada por um grupo de pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná dentro de preceitos acadêmicos.

      Paulo Leminski nomeava a obra de ''romance-idéia''. Isso porque praticamente todo o sentido da obra está em sua experimentação com a linguagem literária, uma ''idéia-narrativa''. Em ''Catatau'' não existe uma história a ser narrada, existe uma ousada aventura de linguagem a ser experimentada.

      O enredo de ''Catatau'' é simples. Acompanhando as invasões holandesas no Brasil, no século 15, o filósofo René Descartes (1596 - 1650) aporta em praias brasileiras para exercitar a máxima ''penso, logo existo''. No meio da floresta tropical, com uma luneta na mão e um cachimbo de ''cannabis'' (presente dos escravos africanos) na outra, Descartes começa a estudar a paisagem.

      Do lugar onde se encontra, Descartes espera por um oficial holandês chamado Artyschewsky, alguém que pode explicar o que é o Brasil. Artyschewsky aparece somente na última página do livro, bêbado como um gambá, incapaz de explicar qualquer coisa.

      A história é essa. Não há mais fatos ou acontecimentos lineares. Há apenas uma longa viagem que trafega entre duas vertentes. Uma seria a viagem da substituição de todo o pensamento racional, do ''penso, logo existo'', pela subversão do pensamento dos trópicos, o ''penso, logo deliro''. A outra, a que merece maior atenção, é justamente a viagem através da linguagem literária: a utilização da palavra como um pincel capaz de criar desenhos nunca vistos, formas propulsionadas pela imaginação.

      O grande jogo estabelecido em ''Catatau'' está no autor criar um personagem que sucessivamente interfere na narrativa: Occam. Trata-se de uma espécie de monstro que surge no interior do texto e passa a fazer parte dele independente da vontade do narrador. Occam, chamado de ''monstro-semiótico'' pelo autor, opera na função de separar lógica e realidade como coisas distintas. Traduzindo de maneira crua, Occam seria uma entidade que nasce, no meio da massa, no momento em que padeiro está amassando o pão. Um ser que nascendo no meio de um processo criativo, interfere na criação como criatura da irrealidade, não da lógica.
      Leminski passou oito anos debruçado sobre o ''Catatau''. Em suas anotações deixou registrado que o livro é ''o fracasso da lógica cartesiana branca no calor'', bem como ''o fracasso do leitor em entendê-lo''. E que pretendia oferecer novas informações ao leitor e para atingir esse objetivo tinha que frustrar expectativas.

      Em sua definição, a melhor informação seria aquela provocada pela expectativa frustrada: ''No Catatau, a expectativa é sempre frustrada. O leitor sabe o que deve esperar: rompe-se a lógica, as passagens de frase para frase são regidas por leis outras que não as normas da sintaxe discursivas normal. (...) Dentro do livro, o leitor perde a mania de procurar coisas claras. Então, aquelas que são claras por si mesmas tornam-se escuras no seu entendimento.''

      Em ''Catatau'' o inesperado torna-se norma. A experimentação torna-se regra. Pode ser considerado como difícil leitura, de hermético entendimento. Mas pode também ser lido de maneira simples: a radical aventura de um homem pelo mundo das palavras, pelo universo da linguagem.

      Serviço:
      Catatau - Um Romance-Idéia, de Paulo Leminski, Travessa dos Editores (41/338-9994), edição crítica estabelecida por Marta Morais da Costa, Claudia Maria Millek, Márcia Letícia F. Déa e Tainá Cristina Pires, 433 páginas, capa dura. Preço sob consulta: http://www.travessadosedito...
    • por grota
    • 29.Ago.2004 às 17:38 - Permalink - Reportar
    grota
    • Cara mó felicidade encontrar esse texto sobre Leminski e Catatau.
      Valeu.
      Ruth Mezeck
      http://artescenicas.blogspot.com
    • por Ruth Mezeck
    • 01.Jan.2007 às 02:33 - Permalink - Reportar
    Ruth Mezeck
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