Amiguinhos, sou eu de novo. Por acaso vcs andam cansados ou chateados por se sentirem mal arrumados, ou pagando mico na rua e na noite por causa de roupa, ou coisa do visual? Pensando nesses probleminhas que eu estou aqui para sugerir algumas diquinhas para acabar com esse drama.
Então vai lá. Antes de proferir uma palestras com ensinamentos nesse sentido, uma breve reflexão sobre o assunto pode ajudar.
Durante essa vida de ridículo, que é o cotidiano de um palhaço, notei que há uma diferença tênue entre os detonados e os descolados. Sabem o que eu estou falando? É só lembrar daqueles carinhas do colégio, que andavam com roupas ridículas, calças rasgadas, lenços na cabeça, tênnis vermelho, e coisas do gênero. Na verdade, (confesse...) vc nunca entendeu o porquê esses tipinhos faziam o maior sucesso com a mulherada, não?
Isso ocorre (é isso que estou tentando dizer) porque poucas pessoas percebem a diferença sutil entre o detonado e o descolado. As diferenças são pequenas, mas desde já quero alertá-los para a dificuldade de transitar entre essas características. Vamos começar então do mais importante.
1- Quem é vc?
No geral, ninguém pensa muito nisso na hora de elaborar o visual, mas se vc esquecer de se situar, meu amiguinho, esqueça. Saia dessa vida mimética e acorde para ver quanta coisa vc copia da televisão e do povo com o qual convive. (não adiante me dizer que no seu caso é diferente)
Um exemplo pode ajudar: vamos analisar o patrão João, e o desfiliado José Roberto Maria Tubaína.
Caso um- invertendo papéis: Zé Tubaína usa um chinelo de couro, bernuda básica cru, uma camisa de manga curta listrada e óculos de lente azul. João, chinelo havaiana, shorts de time de futebol, camiseta gola polo da pool, celular na cintura, um bolo de chaves no bolso, boné de time americano de basquete. Ambos estão no boteco de Juca, domingo de manhã, curtindo o velho e bom pagodinho, regado à nova Schin.
Vejamos então a opinião do mulheril:
_Nossa, que ridículo, olha esse zé Tubaína, que baiano! Tá querendo enganar quem com essa roupa de pleíba! Certeza que comprou esses pano no camelô.
_Puxa, o João é um cara humilde mesmo, como eu invejo a sua humildade! Tão descontraído, tão alegre, esse shorts cai muito bem pra ele, ...sabe, todo mundo fala mal de celular na cintura, mas até que ficou legal, sabe... ele tem estilo.
_Credo, óia que cafona esse Zé Tubaína querendo pagar de doutor no buteco do Juca. he, he, he.
Pois, bem. Esse pequeno exemplo retirado da experiência empírica nos ilustra bem porque não podemos pensar o visual apenas como uma questão das pecinhas de roupa isoladamente.
Vimos de forma alegre que o cara bem de vida nem precisa se preocupar com essas problemáticas. Só mesmo os quebrados e estourados é que se ferram com tais picuinhas.
Se vc é um quebrado, fudido, funcionário básico, desocupado, desfiliado, descrente do sistema, incompreendido, atrasado, caipira, ou qualquer outro nomezinho feio para indicar que está excluido da turminha dos descolados, prestem atenção no que segue.
Temos agora o segundo ponto pela frente:
2- a revolução dos detonados.
O princípio dessa reflexão começou com a simples observação das coisas pequenas em nosso país. Das opiniões comuns, das piadas de buteco, das fofocas entre vizinhas. Aos poucos fui notando que o Brasil é rico em sabedoria de transformar indivíduos detonados, em verdadeiros descolados.
Começo por um exemplo absurdo:
a) Tiririca: o palhaço mais baguá da história da televisão. Com tanto excesso de escrotice e detonação, aquele velhaco consegue descolar uma grana boa que muito nego certinho não ganha.
b) o próprio titio bulk (charles bukowski): o cara era um alcóolatra no sentido estrito da palavra, além disso chato, não queria fazer nada sério, não tinha respeito por nada. Quanto mais escroto eram seus textos, mais sucesso fazia. Quanto mais xingava os estudantes, editores e prof. acadêmicos, mais dinheiro e mais convite faturava para palestras. Até mulher, com aquela cara estourada de espinha no rosto, e barrigão de chopp o cara descolou. De looser virou show.
Então finalmente chegamos a grande diquinha para vc melhorar a sua vidinha de detonadão: “ se vc é um detonado e quer virar um descolado, pegue o seu probleminha e detone-o até o fim.”
“... em vez de vc ficar fazendo meia boca, disfarçando, dando uma garibada, esqueça e vai em frente em direção da merda.”
“... fique tranquilo que vc não vai se fuder. estando no Brasil ainda, a coisa é muito mais fácil. se quiser falar errado, bater em todo mundo, viver de maracutáias, levar os outros na conversa, passar a perna no governo, rir dos fudidos, tirar sarro dos fudido, etc, vc com certeza vai se dar bem por aqui. o Brasil é o país certo para vc.”
Publicado em 21 de outubro de 2004 às 15:49 por rodolfo